# Familiares celebram legado da 1ª medalha paralímpica do Brasil

> Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram, em 1976, a primeira medalha paralímpica do Brasil. Familiares celebram o legado de luta e inclusão desses atletas, que transformou o esporte adaptado nacional. A conquista histórica abriu caminho para gerações de paratletas brasileiros.

*Esporte Notícia · Olimpicos · 10 de agosto de 2026 · Juliana Prado*

Em 1976, Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram a primeira medalha paralímpica do Brasil. Familiares celebram o legado de luta e inclusão que transformou o esporte adaptado no país.

## Familiares celebram legado de primeira medalha paralímpica do Brasil

O Brasil encerrou a Paralimpíada de Paris, em 2024, entre as cinco potências do esporte adaptado pela primeira vez. O país soma 462 pódios no maior evento paradesportivo do planeta. Mas essa trajetória começou há 50 anos, quando Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram a primeira medalha brasileira na história: a prata no lawn bowls, modalidade já extinta, semelhante à bocha, embora a tradução literal do inglês signifique "boliche de gramado".

As medalhas estiveram expostas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, nessa quinta-feira (6), em uma homenagem simbólica. Foi justamente em um dia 6 de agosto, em 1976, em Toronto (Canadá), que Robson e Luiz Carlos abriram a contagem de pódios do Brasil em Paralimpíadas. A data agora ganha um novo significado para as famílias dos pioneiros.

## O resgate de uma história que não era contada

"É o resgate de uma história que não era contada. Se hoje temos tudo isso [no esporte paralímpico], com televisão, entrevistas, esse momento de comemoração, é porque alguém lá no passado lutou para que isso acontecesse", destacou Noêmia Almeida, sobrinha de Robson, à reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Criada como filha pelo medalhista paralímpico, Noêmia acompanhou de perto a trajetória do tio/pai, fundador do Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, em 1958. Falecido em 1987, Robson criou a instituição, que abrigava pessoas com deficiência sem recursos para reabilitação, com a indenização do acidente que sofreu três anos antes e o deixou paraplégico. Ele trabalhava em uma fábrica de papéis nos Estados Unidos e teve a coluna comprimida por um rolo.

"Naquela ocasião, não tinha recursos como hoje. O paradesporto não era uma política pública, então, tinha que sair batendo de porta em porta. Ele [Robson] batia na porta de deputados, de quem estava no poder, para ajudar a comprar uniforme, passagens, para representar o Brasil lá fora", afirmou Noêmia.

## A dupla dinâmica que fez história

Luiz Carlos foi justamente um dos atendidos pelo Clube do Otimismo, onde estabeleceu uma grande amizade com Robson. "Curtinho", como é conhecido, tem 79 anos e está em tratamento de Alzheimer.

"Eles sempre formaram essa dupla dinâmica no esporte. Quando se formaram os primeiros times de basquete [em cadeira de rodas], meu tio foi o primeiro cestinha brasileiro, e o Luiz Carlos acompanhou. Foi um grande escudeiro do Clube do Otimismo. Ele [Luiz Carlos] também trabalhava com técnicas para recuperação das rodas das cadeiras. Nas disputas internacionais, dava sempre o apoio técnico para conserto", recordou Paulo Robson de Almeida, sobrinho de Robson, em entrevista à EBC.

Robson e Luiz Carlos foram aos Jogos de Toronto competir no basquete em cadeira de rodas e acabaram convidados para o lawn bowls. Na época, era possível participar de mais de uma modalidade. A dupla brasileira fez bonito no Etobicoke Lawn Bowling Club e assegurou o segundo lugar, atrás dos australianos Eric Magennis e Bruce Thwaite. Os britânicos David Avis e Michael McCreadie completaram o pódio.

"O Robson jogava o boliche tradicional, com a pista de madeira. E fazia vários strikes [quando todos os pinos são derrubados em uma única jogada]. Então, ele já tinha certa prática para segurar a bola. Mas o Luiz Carlos foi de primeira", contou Paulo Robson.

## O esporte como consequência de uma luta maior

A história brasileira no movimento paralímpico mudou significativamente desde a medalha histórica de 1976. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) foi criado em 1995. Três anos depois, a entidade foi incluída no Sistema Nacional do Desporto por meio da Lei 9.615, conhecida como Lei Pelé.

A medida possibilitou a entrada do CPB na Lei 10.264, chamada Lei Agnelo Piva, de 2001, que passou a distribuir 2% (atualmente 2,7%) dos recursos de loterias federais para financiamento do esporte. Desse percentual, 15% são direcionados ao paradesporto. Os demais 85% vão para o Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Em 2016, surgiu o CT Paralímpico, uma das principais estruturas esportivas do país, considerada um legado dos Jogos do Rio de Janeiro. Além do impacto direto na evolução dos resultados do Brasil em Paralimpíadas, o centro de treinamento se tornou um polo de formação de atletas por meio da iniciação em modalidades adaptadas, de forma gratuita, a jovens de 7 a 17 anos com deficiências física, visual e intelectual.

"Ele [Robson] lutava para as empresas admitirem [pessoas com deficiência], que tivessem uma política de acreditar que aquela pessoa era capaz de trabalhar. A gente teve nele o exemplo desse espírito, e o esporte foi a consequência. O que estamos comemorando é a realização de um sonho. A luta dele é a de todos nós", concluiu Noêmia.

## Perguntas Frequentes

### Quando o Brasil conquistou a primeira medalha paralímpica?

Em 6 de agosto de 1976, nos Jogos de Toronto, no Canadá, com Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa na prata do lawn bowls.

### O que é lawn bowls?

É uma modalidade já extinta dos Jogos, semelhante à bocha, embora a tradução literal do inglês signifique "boliche de gramado".

### Quem foi Robson Sampaio de Almeida?

Foi o fundador do Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, em 1958, e um dos pioneiros do paradesporto brasileiro. Falecido em 1987, criou a instituição com a indenização de um acidente que o deixou paraplégico.

### Como o paradesporto se desenvolveu no Brasil?

O CPB foi criado em 1995 e, a partir das leis Pelé e Agnelo Piva, passou a receber recursos de loterias federais. Em 2016, surgiu o CT Paralímpico, polo de formação gratuita de jovens atletas.

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Fonte (canonical): https://www.esportenoticia.com.br/olimpicos/familiares-celebram-legado-primeira-medalha-paralimpica-brasil/
