Haka no Pacaembu: entenda a tradição neozelandesa no rugby
O haka foi um dos momentos mais aguardados no Pacaembu, antes do amistoso entre a Seleção Brasileira e o Classics New Zealand. Entenda a origem maori, o Ka Mate e o que o ritual representa no rugby.
O haka foi um dos momentos mais aguardados pelo público presente no Estádio do Pacaembu. A dança de origem indígena antecedeu o amistoso entre a Seleção Brasileira e o Classics New Zealand, equipe formada por ídolos neozelandeses, realizada no último sábado. Para Hosea Gear, campeão mundial de rugby pela Nova Zelândia em 2011, o haka carrega um peso histórico que vai além do esporte.
"É obviamente algo único e especial para a Nova Zelândia e poder executá-lo aqui no Brasil, contra o Brasil, é especial para nós", afirmou o ex-jogador em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.
O haka é uma dança tradicional de origem maori, povo indígena da Nova Zelândia, marcada por movimentos vigorosos, batidas fortes dos pés no chão, gritos ritmados e expressões faciais intensas. Historicamente, era executado pelos guerreiros maoris antes de entrar em combate, para intimidar o adversário e unir o próprio grupo. Com o tempo, o gesto se tornou símbolo da identidade cultural neozelandesa e foi incorporado ao esporte, popularizado pelos All Blacks.
O Ka Mate, executado pelos Classics no Pacaembu, é a variação mais famosa. Composto na década de 1820 pelo chefe Te Rauparaha, líder da tribo Ngati Toa, a história remonta a uma perseguição: fugindo de inimigos, Te Rauparaha buscou proteção do chefe Te Wharerangi. Escondido em um buraco, murmurava "Ka mate! Ka mate!" ("Eu morro! Eu morro!"), e ao perceber que tinha enganado os inimigos, sussurrava "Ka ora! Ka ora!" ("Eu vivo! Eu vivo!").
O também neozelandês Hoani Matenga reforçou o significado simbólico: "Quando fazemos isso antes de uma partida de rugby, é um sinal de respeito. É lançar o desafio para o adversário. Então é dizer que estamos aqui, respeitamos vocês, mas é também um grande desafio."
Um dos momentos mais emocionantes veio de João Luiz "Ige", convidado para integrar os Classics da Nova Zelândia, algo inédito para um brasileiro. Recordista em partidas pela Seleção Brasileira (72), Ige teve pela frente o próprio filho, Francisco das Ros, capitão da seleção juvenil e estreante pela equipe principal do Brasil. "Fazer o haka era algo que eu jamais imaginei viver. Fazer isso de frente para o meu filho não tem explicação", afirmou.
A seleção masculina do Brasil nunca participou de um Mundial, ao contrário das Yaras, que disputaram sua primeira Copa do Mundo em 2025. Por isso, o confronto contra os neozelandeses, apesar de amistoso, simbolizou um grande momento para o rugby nacional. Ao final, a seleção de ídolos dos All Blacks superou os brasileiros por 62 a 35.
Para Ige, a despeito do placar, a sensação foi de vitória: "Um privilégio enorme, uma emoção que vou levar comigo para o resto da vida. Foi um sonho viver isso."