Como a AFA trabalha para evitar a saída de Scaloni da seleção argentina
Após a derrota na final da Copa do Mundo 2026, a AFA se preocupa com o futuro de Scaloni, que sinalizou a intenção de deixar o cargo. A diretoria busca convencê-lo a permanecer.
Como a AFA trabalha para evitar a saída de Scaloni da seleção argentina
Após a derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo 2026, a principal preocupação da seleção argentina, nos bastidores da Associação do Futebol Argentino (AFA), passou a ser o futuro de Lionel Scaloni, que indicou que pretende encerrar seu ciclo à frente da seleção quando seu contrato terminar, em dezembro.
Embora o treinador tenha deixado claro que sua intenção é deixar o cargo, a diretoria argentina ainda não considera a saída um caso encerrado. O presidente Claudio Tapia acredita que ainda há espaço para convencê-lo a permanecer e já prepara uma série de conversas para tentar mudar a decisão, segundo o "Olé".
"Vou falar com o presidente. Sei do que quero fazer. Vou cumprir o contrato. Sinto a necessidade também de pensar, porque não sei se vou poder fazer algo tão grande como isso e melhor. Tenho que falar. Tenho que agradecer ao presidente por estar nesse lugar", disse o treinador, que tem contrato com a seleção até dezembro de 2026.
O plano da AFA é evitar qualquer tipo de pressão imediata. A estratégia é aguardar o fim das homenagens ao elenco, a diminuição da repercussão da Copa do Mundo e o retorno à rotina para iniciar as negociações.
Nos bastidores, Tapia confia no relacionamento construído com Scaloni desde 2018. Foi o dirigente quem apostou no então treinador interino após a saída de Jorge Sampaoli, e a parceria resultou no período mais vitorioso da história recente da seleção argentina.
O presidente também acredita que já conseguiu convencer o treinador em outros momentos delicados, como após a derrota para o Uruguai, nas Eliminatórias de 2023, quando Scaloni também cogitou deixar o cargo.
Enquanto a AFA trabalha nos bastidores, a torcida tenta fazer sua parte. Um dia depois da final, moradores de Pujato, cidade natal de Scaloni, passaram em frente à casa da família do treinador, buzinando, acenando e demonstrando apoio.
O gesto simbolizou o carinho conquistado pelo comandante ao longo de oito anos à frente da seleção. Campeão da Copa América, da Finalíssima e da Copa do Mundo, Scaloni se tornou um dos personagens mais importantes da história do futebol argentino.
Outro argumento utilizado pela AFA é o futuro da seleção. A entidade entende que Scaloni ainda pode liderar a renovação do elenco para o próximo ciclo, que culminará na Copa do Mundo de 2030, torneio que terá a Argentina como uma das sedes das partidas comemorativas do centenário da competição.
Além disso, sua permanência permitiria ao treinador alcançar uma marca histórica. Atualmente, Scaloni soma 104 partidas no comando da seleção principal e está a apenas 20 jogos de superar Guillermo Stábile, técnico que mais dirigiu a Argentina, com 124.
Mesmo diante do cenário de incerteza, o sentimento na AFA é de confiança. A avaliação interna é de que o momento emocional vivido logo após a derrota na final não é o ideal para qualquer definição e que, com o passar das semanas, ainda será possível convencer o técnico a continuar escrevendo sua história à frente da seleção argentina.