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Juventus da Mooca cria equipe de futebol formado por atletas amputados

O Juventus da Mooca anunciou, em agosto, a criação de uma equipe de futebol formada por atletas amputados ou com má formação congênita. A iniciativa é uma parceria com a APAC (Associação Paulista de Amputados da Capital) e busca dar visibilidade a uma modalidade que ainda enfrenta barreiras no país.

A aproximação entre o clube e a associação nasceu por iniciativa de Fabio D'Angelo, o Fumaça, diretor de Futebol Associado do Juventus. Depois de conhecer o esporte, ele foi convidado pelos próprios atletas para que a instituição incorporasse a categoria oficialmente. "Assim que conheci essa modalidade, achei uma causa nobre e fiquei muito interessado em trazer o time para o clube", afirma.

O Brasil é uma das principais referências mundiais no futebol de amputados, mas os atletas ainda esbarram em falta de patrocínio, infraestrutura e apoio institucional. A participação de clubes centenários ajuda a reduzir parte dessas dificuldades e tira do anonimato uma prática que segue distante do grande público.

Os números dimensionam o desafio. Entre janeiro de 2012 e maio de 2023, o SUS realizou mais de 282 mil cirurgias de amputação de membros inferiores, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Hoje, a Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação estima que o país tenha cerca de 500 mil pessoas amputadas.

Para o presidente do Juventus, Tadeu Deradeli, o projeto extrapola o competitivo. "A nossa equipe simboliza o nosso desejo de constantemente ampliar nossa atuação como espaço de cultura, lazer e de atividades sociais", afirma.

A reabilitação, nesse processo, vai além do médico. Envolve reconstruir autonomia, autoestima e laços sociais. Integrar uma equipe, disputar competições e vestir a camisa de uma instituição tradicional reforça o pertencimento. O esporte, aqui, vira ferramenta de inclusão. E a entrada de clubes como o Juventus nesse cenário mostra que a modalidade não precisa esperar o próximo ciclo paralímpico para ganhar espaço. futebol de amputados no Brasil

Juliana Prado
Repórter de Esportes Olímpicos
Mineira, cobre modalidades olímpicas e dá luz a atletas que só aparecem de quatro em quatro anos.
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