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Por que Martinelli deixa o Arsenal com sensação de que poderia ter sido mais

Gabriel Martinelli deixa o Arsenal após sete anos, e a sensação que fica é a de que a história poderia ter sido maior. Em 2019, aos 18 anos, o brasileiro saiu do Ituano direto para a Premier League, sem empréstimos ou adaptação em ligas menores. Agora, acerta sua ida ao Al-Hilal na venda mais cara da história dos Gunners, cerca de 70 milhões de euros, e se torna o segundo brasileiro mais bem pago do mundo, atrás de Vinícius Junior. Mas sai como campeão inglês e um dos jogadores mais longevos do elenco, tendo participado de toda a reconstrução comandada por Mikel Arteta.

A trajetória de Martinelli é uma das mais incomuns da formação recente do futebol brasileiro. Passou pelas categorias de base do Corinthians, chegou ao Ituano e estreou profissionalmente com apenas 16 anos e nove meses. No clube paulista, disputou 34 partidas e marcou dez gols antes de ser contratado pelo Arsenal em julho de 2019. Na primeira temporada em Londres, marcou dez gols, incluindo dois na estreia como titular, na goleada por 5 a 0 sobre o Nottingham Forest, além de gols contra Chelsea e na Liga Europa.

O auge veio em 2022/23, quando o Arsenal voltou a brigar pelo título. Martinelli terminou a campanha com 15 gols e cinco assistências na Premier League, seus melhores números, em 36 partidas, 35 como titular. Ele empatou com Martin Odegaard como maior goleador do time no campeonato, enquanto Bukayo Saka, que já começava a estabelecer seu próprio patamar, teve 13 gols e 11 assistências. A eficiência chamava atenção: marcou 15 vezes a partir de chances avaliadas em apenas 9,13 xG, uma diferença de +5,87, a terceira maior margem positiva da liga naquela temporada, segundo números da própria Premier League.

A comparação com Saka, no entanto, expõe o que faltou. Enquanto o inglês evoluiu de promessa para estrela, Martinelli pareceu preso a uma versão mais específica de si mesmo. Quando o Arsenal passou a enfrentar blocos baixos, o brasileiro não desenvolveu as ferramentas necessárias para decidir em espaços reduzidos. O contexto coletivo melhorou, com Trossard, Gabriel Jesus e Havertz ganhando espaço, e Martinelli, em vez de se tornar indispensável, passou a disputar minutos.

Aos 25 anos, ainda há tempo para encontrar o teto que o Arsenal nunca descobriu. A passagem de Martinelli em Londres foi importante, com título e história positiva, mas fica a impressão de que o clube nunca viu exatamente o limite daquele garoto do Ituano. Talvez ele o encontre em outro lugar.

Juliana Prado
Repórter de Esportes Olímpicos
Mineira, cobre modalidades olímpicas e dá luz a atletas que só aparecem de quatro em quatro anos.
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