Do tablet ao GPS no braço: tecnologia do título do Brasil no Pré-Olímpico
Quem acompanhou a seleção brasileira feminina de vôlei no Pré-Olímpico no Maracanãzinho pode ter visto a cena se repetir antes de cada jogo. Bem antes de a bola subir, enquanto as jogadoras ainda aqueciam em quadra, o técnico Zé Roberto Guimarães já estava de cabeça baixa, concentrado na tela de um tablet acoplado a um tripé na frente do banco.
A imagem não é acaso. O tablet é a porta de entrada para uma central de dados em tempo real que ajuda a explicar a campanha perfeita do Brasil no Pré-Olímpico, encerrada com título invicto e vitória por 3 a 0 sobre a Argentina na decisão.
O uso de telas à beira da quadra para analisar estatísticas não é exclusividade do vôlei. Ligas como a NFL, no futebol americano, e clubes de futebol pelo mundo transformaram o Big Data em rotina de trabalho. No vôlei, o tablet do banco e o GPS no braço das atletas formam a camada visível de um sistema que só funciona quando a leitura dos números chega antes da decisão técnica.
O que a cena do tablet revela sobre a rotina da comissão
O gesto de Zé Roberto Guimarães, repetido jogo a jogo, indica que a comissão técnica tratava a leitura de dados como parte do aquecimento, não como reação ao que acontecia em quadra. É a diferença entre analisar depois e antecipar antes.
O tablet acoplado ao tripé, posicionado na frente do banco, funciona como terminal de consulta. A central processa estatísticas em tempo real e devolve à comissão um retrato do que o olho humano perde na velocidade do rali. Quem trabalha com scout de vôlei sabe que a janela entre um ponto e o próximo ajuste é curta, e é aí que o dado pesa.
GPS no braço e Big Data: o que já é padrão fora do vôlei
O GPS no braço das atletas integra o mesmo pacote. O dispositivo mede deslocamento e carga de esforço, informação que interessa à comissão para calibrar aquecimento, rotação e gestão física ao longo de uma competição concentrada como o Pré-Olímpico.
A referência à NFL e a clubes de futebol pelo mundo não é retórica. Essas ligas e agremiações popularizaram o Big Data esportivo antes de o vôlei incorporar a prática de forma ostensiva. O Brasil no Maracanãzinho apenas mostrou que o método já chegou à beira da quadra.
O que falta para o negócio se concretizar? Aqui, o negócio é outro: a pergunta é se a estrutura de análise se sustenta fora de casa, em calendário mais apertado e sem o mesmo tripé montado diante do banco. O título invicto e o 3 a 0 sobre a Argentina respondem a parte. A outra parte só o próximo ciclo dirá.